REFLEXÕES SOBRE AS CASTAS POLÍTICAS BRASILEIRAS

REFLEXÕES SOBRE AS CASTAS POLÍTICAS BRASILEIRAS

 

Por João Alcântara de Almeida

 

É fato que as castas políticas no Brasil são quase bem delineadas, a saber: 1ª) os representantes da burguesia (geralmente os empresários dos grandes conglomerados, nos mais diversos segmentos), como predominância; 2ª) os representantes da elite cultural (geralmente formada por ex-professores ou militantes nessa classe, que emergiram da base), com poucos representantes, mas eloquentes nos discursos; 3ª) os representantes do proletariado (formada, em sua grande maioria, por ex-dirigentes sindicais ou de pequenas associações), tendo estes vários representantes; e, por fim, 4ª) os representantes de congregações religiosas (geralmente formados por bispos, pastores e seguidores fanáticos religiosos que usam da religião como meio para se promoverem). Poderia, aqui, citar outras classificações, mas as aqui definidas, certamente, congregam a maioria absoluta dos políticos de nosso país.

Não nos iludamos em acreditar que o interesse da comunidade esteja em primeiro plano nas intenções desses políticos, por mais que tenham saído de suas bases eleitorais, com incumbências representativas bem definidas. É evidente que os interesses particulares permeiam suas condutas, e o tempo que sobrar será dedicado àqueles que são seus representados. É nesse emaranhado de convicções que nos situamos. Os conflitos de interesses são fáceis de serem detectados, mas, no fundo, quando eleitos, todos perdem suas identidades e passam a ter uma só, a do interesse próprio. Ademais, pelas mordomias e polpudos salários que ganham, deixam de serem pertencentes ao proletário, quem dele saiu. Alguns ainda insistem nessa pecha, mas apenas como mote para sua continuidade no poder.

Ante as condições criadas pelos próprios políticos e a conivência de uma sociedade inerte moralmente, quem detém o poder deita e rola com os benefícios que são muitos e estão a sua disposição, pois o dinheiro público, a cada minuto, jorra como a água do rio em direção ao mar, quase sem fim, às duras custas de todos nós contribuintes.

Nos aconchegos de seus suntuosos gabinetes planejam as mais diversas ações para suas manutenções e perpetuação no poder. Agarram com unhas e dentes todas as possibilidades, mesmo se estas contrariarem a vontade da comunidade, mas desde que não seja em seu detrimento. Gastam fortunas para se elegerem, mesmo sabendo que a retribuição pelo mandato que exercerão, pelo menos no valor declarado, nem de longe consiga recuperar o valor despendido. Assim, ao chegar ao poder tentam, de todas as formas, buscar os artifícios ilegais e imorais para fazer frente àqueles gastos desembolsados e, é claro, como ninguém é de ferro, também buscar umas sobras para os futuros “investimentos” em novos mandatos, sempre mais auspiciosos.

Na farra com o dinheiro público, não sobra nenhuma decência, gastam como podem e como não podem. Empregam seus mais diversos apadrinhados, desde os parentes até amigos de amigos, a fim de cumprir seus favores e poderem contar com estes nos próximos pleitos.

Compromissam-se, independentemente da classe que representam, com qualquer um, principalmente com os empreiteiros e profissionais que laboram na execução de contratos públicos, que são loucos por emendas e destinações públicas. Estes profissionais têm lobistas qualificados para só fazerem o trabalho de “visitações” aos parlamentares e aos membros dos executivos. Isso é fato público e notório. Muitas das empreiteiras são constituídas em vésperas de eleições e após a realização destas, já com segundas intenções. E o pior, boa parte dos políticos também são empreiteiros, mesmo seus nomes não aparecendo diretamente como detentores do capital, mas por intermédios de fachadas ilícitas, com os chamados “laranjas”.

Enfim, poderia ficar escrevendo laudas e laudas sobre o assunto que dificilmente iria esgotá-lo por completo, pois a cada dia surgem novas notícias e fatos que nos deixa envergonhados de toda uma corja de malversadores do dinheiro público.

Acredito que ainda há solução para boa parte desses problemas, podendo citar algumas: 1ª) que se limite o gasto de campanha para cada candidato, especialmente a um percentual de sua retribuição quando estiver no exercício do mandato; 2ª) que o serviço público tenha em seu quadro somente servidores de carreira, por intermédio de concurso público, sem pendência a qualquer político; 3ª) que as empreiteiras que forem concorrer nas licitações tenham, no mínimo, dez anos de atividade no ramo que pretende disputar as licitações, e que seus proprietários sejam preliminarmente investigados exaustivamente por quem de direito, e que um serviço ganho em licitação jamais possa ser terceirizado. Estas são meras e simples atitudes que se adotadas provavelmente diminuirá em muito os escândalos que a cada dia surge em nosso país.

Que este 07 de setembro de 2009 seja, efetivamente, um marco de mudança na postura política deste país, em todas as instâncias.

FÁBULA DO MUNDO CORPORATIVO

FÁBULA DO MUNDO CORPORATIVO

 Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz. O gerente, o marimbondo, estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou a barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de uma secretária, para ajudar a preparar os relatórios e contratou também a aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O   marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas  em reuniões. 

A barata, então, contratou a mosca, e comprou um computador com impressora colorida.

Logo, a formiga, produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!

O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado à cigarra, que mandou colocar carpete  no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora, a cigarra, logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: “Há muita gente nesta empresa.” E adivinha quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

 Moral da história: “Já vi esse filme em algum lugar!”

UMA HISTÓRIA E OUTRA ESTÓRIA – parte II

UMA HISTÓRIA E OUTRA ESTÓRIA – parte II

 Por João Alcântara de Almeida – quase ex-Escrevente Judicial

Esse outro caso (   ) ou causo (   ) aconteceu com meu amigo Renato. Pessoa de índole inabalável, mas hora ou outra, quando tomava umas cachaças, gostava de contar vantagens. É claro, como amigo, sempre tive que dar ouvido as suas lamentações, devaneios e vangloriações.

É claro, rapaz dedicado ao trabalho, nunca ouvi nada dele que o desabonasse. Respeitado por todos, mas também tinha seus defeitos, e quem não os têm?

Certo dia, me chamou para contar o que tinha lhe acontecido. Como amigo, e sempre disposto a colocar os ombros para enxugar as lágrimas dos outros, lá estava eu, novamente, atento a ouvi-lo, pacientemente.

Me disse que há muito tempo trabalhava em uma empresa, dando “o sangue”, “vestindo a camisa”, enfim, todas aquelas coisas que se propalam por aí de um funcionário dedicado. Em sua instituição de trabalho tinham muitos chefes.

É, após Taylor e Fayol (os dois partem de pólos opostos dentro da hierarquia organizacional. Taylor tinha uma visão mecanicista e racionalista em relação aos empregados. Segundo ele, era possível medir o tempo necessário para execução de cada uma destas tarefas e, com isso, determinar um padrão para todos os trabalhadores, pois os homens são vistos como adjunto da máquina no desempenho de tarefas produtivas e devem almejar unicamente a riqueza da empresa, como bem de todos; para Fayol, os princípios de administração eram mais flexíveis, ele prezava o fator humano, sempre presente nas organizações e, apesar de ter considerado a teoria de Taylor um tanto rígida, concordou que sua obra complementou a teoria de Taylor. Fayol defendia a harmonia entre os empregados, os incentivos materiais e salariais. Para alguns, Fayol é considerado, hoje, o pai da administração moderna), com a Revolução Industrial, o mundo mudou. A figura do chefe, mesmo sendo apenas figurativa, tem muito valor no mundo moderno. E não era diferente na empresa em que trabalhava esse meu amigo.

Inclusive, em sua empresa, tinha o chefe dos chefes, o manda-chuva, aquele quase imexível. Entretanto, as pressões externas e internas fizeram com que surgisse uma outra “figura” nesse quadro, a de um agente fiscalizador. A princípio, a resistência para quem sempre “mandou” era grande, mas aos poucos tiveram que se adaptar à situação, a mudança era inevitável, era preciso fazer adaptações.

Meu amigo Renato, no encargo de subalterno, a tudo aquilo assistia de camarote, mas estava atento às mudanças que se vislumbrava acontecer, pois que certamente para si sobraria algo, vez que estava na base da pirâmide.

Não deu outra, as ordens começaram a ser baixadas, relatórios e mais relatórios, produzidos na mais fina filtragem de dados. Desceu-se à escala de chefes, cabeças fervilhavam em ideias, mapas e mapas foram produzidos, enquanto isso meu amigo estava atento, e baixinho sussurrou: “vai sobrar pra mim!!!”.

Na semana passada, quando o vi pela última vez, já era outra pessoa, pois ao passar por mim, quase não me avistou. Aparentemente estava preocupado, certamente com os relatórios que estavam vindo e quais seriam as alternativas que teria que resolve-los, mesmo porque estava na base da pirâmide.

 Obs.: Qualquer semelhança com outros nomes, outros fatos ou outros acontecimentos reais, terá sido mera coincidência.

UMA HISTÓRIA E OUTRA ESTÓRIA – parte I

UMA HISTÓRIA E OUTRA ESTÓRIA – parte I

Por João Alcântara de Almeida – quase ex-Escrevente Judicial

Primeiramente vou contar o que aconteceu com meu amigo Edivaldo. Nesse eu acredito. Nunca ouvi ele contar uma mentira. Ele, no seu astuto clamor da juventude, conheceu uma guria lá pras bandas do Mato Grosso. Guria “direita”, de família de matutos, não namorava enquanto seus pais não consentissem. Caipira do mato, tinha seus encantos, mas quando se deparou com as belezas da cidade, sua formosura desabrochou. Nisso, meu amigo Edivaldo, matreiro que só ele só, vislumbrando todo aquele fulgor, não resistiu e com todo o empenho saiu à caça da moça. Ouviu, de imediato, um não!!! Mas quem disse que meu amigo se acanhou, foi lhe dizendo que faria de tudo para conquistar seus encantos. Não deu outra, a moça logo lhe propôs uma visita a seus pais, pois se o velho o aprovasse, tudo bem.

Seguindo para o sertão do Mato Grosso, onde residiam os pais da moça, começou a ficar preocupado, pois num determinado momento acabou a “estrada” e começou uma “picada”. Lá foi meu amigo, enfrentando todas as intempéries e durezas da vida do ermo sertão. Chegando à casa dos pais da moça, uma grande casa no estilo colonial, com as portas abertas, porque por lá não tinham medo de nada, lá foi adentrando meu amigo. Cumprimentaram-se de soslaios e a moça o apresentou a seus pais. O velho, desconfiado que nem vendedor de rifa, foi logo querendo saber os atributos de coragem do futuro genro. Questionou acerca de sua masculinidade, mesmo porque meu amigo usava suas longas madeixas, preservadas a Xampu made in PY, comprado no buteco da esquina de sua cidade natal.

É claro, não precisava tanta humilhação, meu amigo era da cidade, onde os costumes eram outros, mas para o velho aquilo era inadmissível. Foi assim a primeira impressão, mas meu amigo não era bobo, foi logo perguntando ao velho se por ali ainda existiam onças, pois o que lhe apetitava seria tirar o couro de uma pintada, pois era acostumado a praticar muitos safáris e a tirar couro de jacaré, lá pelas bandas do pantanal, ainda vivos. É claro, o desafio era grande, mas a tentativa era logo intimidar o velho, mas achava ele que dali não sairia nenhuma empreitada perigosa. O velho, de imediato, desconfiando da farsa, foi logo dizendo ao seu pretenso candidato a genro: “já é de tardezinha, e isturdia, nesse mesmo horário, avistei umas onças na tocaia, é a menos de 500 metros daqui. Vos micê poderia já ir fazendo uns treino, antes da véia perpará o jantar”.

Ufa, o desafio era grande, iminente, e não havia saída, afinal a primeira impressão é a que fica, e meu amigo queria, a todo custo, conquistar a simpatia do velho. É claro, cara esperto da cidade, aceitou o desafio, mas já foi logo matutando como ia se desenrolar os fatos. O sogro lhe ofereceu uma espingarda cartucheira, já preparada, e passou às mãos do Edivaldo. Tinha que acontecer algo diferente, senão a impressão não seria das melhores. Meu amigo rejeitou o trabuco e pediu um facão, afirmando ele que dava mais emoção, e ainda teria que ser cego, para a danada da onça sofrer mais.

O velho estatelou os olhos, mas pedido era pedido, e queria provar a coragem do cidadão. Foi à despensa e logo trouxe um facão daqueles que se corta prego, cheio de falhas, e o entregou ao jovem astuto. Vendo aquela situação, e demonstrando coragem, o Edivaldo disse que esperava um facão daquele tipo mesmo, pois nunca tinha deixado um animal sofrer tanto como aquele que estaria por cair em suas unhas.

Na verdade, ele ganhava tempo para pensar numa saída de mestre para o caso. O velho se ofereceu para ir junto, mas é claro, meu amigo logo o descartou e pediu para o velho já ir esquentando a chaleira para mais adiante tomar o mate. O velho, vendo aquela tremenda loucura, ainda o advertiu: “Edivardo, si cuida bem, onça gerarmente anda em dupra”. Meu amigo, demonstrando grande tranquilidade, disse que assim a emoção seria maior, e saiu na caça da felina.

Para o Edivaldo, os centímetros eram metros, a cada passada era como se “comesse” dezenas de metros. Quase andava para trás, pois que pensava numa maneira de resolver aquela situação e ainda sair por cima. Olhava para trás e via o velho abanando as mãos, como se tivesse despedindo-lhe pela última vez. De repente surgiu-lhe, repentinamente, uma idéia que, tinha certeza, iria funcionar, mas por enquanto fica o suspense.

De fato, percorrido os 500 metros da casa, o Edivaldo avistou duas pintadas, embaixo de uma árvore, brincando uma com a outra. Meu amigo me disse que nunca tinha visto, ao vivo, uma onça, e passou por sua cabeça que poderia ser animal de estimação do velho e este o estava querendo aplicar-lhe uma. Entretanto, mesmo assim, procurou se aproximar com cautela, andando nas pontas dos pés para sequer quebrar um galho seco que tivesse pela frente, acreditava ele que estava flutuando.

Cerca de 30 metros dos animais, o Edivaldo se aportou atrás de uma árvore, mas como o mesmo tinha andado quase o dia todo, ainda não havia tomado seu corriqueiro banho, e colaborado pelo quente sol sob sua carcaça pego durante o dia na longa caminhada até a casa do velho, o mal cheiro de suor era infernal. Logo, os bichos sentiram a presença de algo estranho na área. Meu amigo percebeu isso, e se viu na maior enrascada de sua vida, pior do que aquela vez em que teve que pular uma janela, na condição de “Ricardão”, caindo sobre uma touceira de rosas.

Voltando ao caso concreto, meu amigo pensou em subir na árvore, mas logo refletiu que se fizesse isso e as onças se aproximassem, dificilmente teria condições de descer. Pior ainda é se o velho tivesse que vir socorre-lo, aí, sim, a situação ficaria mais vexatória para o rapaz.

Plim …. O certo seria jogar uma pedra nos animais e fazer com que esses corressem contra si. Não deu outra, abaixando, encontrou um cocos macaúbas, e atirou “ferozmente” sobre os animais. Não deu outra, mexer com quem tá quieto, infelizmente não é um bom negócio, já diziam os sábios de plantão, e meu amigo tinha plena consciência disso, mas os planos ainda estavam em andamento, e tinha que dar certo.

Foi quase que simultâneo, a cair os cocos sobre os lombos das felinas, imediatamente uma delas saiu no encalço de meu amigo aventureiro. Pensou e sussurrou baixinho: “pernas, pra que te quero?” Saiu em desabalada carreira, em destino à casa do velho. Para ele, não mais corria, voava como nunca tinha feito antes. É claro, este tinha feito alguns treinos na cidade, quando arranjava algumas brigas nos longínquos bairros de sua cidade, e sempre desafiava seus desafetos a perseguirem-no, e nunca pegaram-no.

Dito e feito, os quinhentos metros foi fichinha para o Edivaldo. A onça nunca tinha perseguido animal com tamanha agilidade. Quase sem fôlego, meu amigo entrou pela porta da sala, cruzou um corredor onde se situavam os quartos, chegando à cozinha. A distância entre a onça e ele, durante o percurso, era em torno de 20 metros, mas a distância encurtava cada vez mais. Amarelo pelo medo, seu sangue praticamente não circulava mais em seu corpo.

Na cozinha, deparou-se com o velho, sentado, já com a cuia de mate à mão. Mesmo sôfrego, foi lhe dizendo: “Vai arrancando o couro dessa que já estou buscando a outra”. Saiu pela porta da cozinha, e em poucas horas já estava em destino a sua cidade natal. Perguntei ao Edivaldo o que realmente aconteceu após tudo aquilo. Não sei se por encargo de consciência, mas nunca ele quis me contar o restante do caso ( ) ou causo ( ).

Certamente podemos tirar muitas lições disso. O mundo está cheio de caçadores de onça, mas quem realmente tira o couro, ah, sim, esses são poucos.

Obs.: Qualquer semelhança com outros nomes, outros fatos ou outros acontecimentos reais, terá sido mera coincidência.

MANIFESTO DE UM PEÃO, NO DIA DO TRABALHADOR

MANIFESTO DE UM PEÃO, NO DIA DO TRABALHADOR

Por João Alcântara de Almeida – Escrevente Judicial – DOURADOS/MS.

A internet talvez tenha sido uma das mais importantes ferramentas para registro e propagação que o mundo moderno nos proporciona. Algumas, obviamente, são palavras jogadas ao vento; outras, a alguém podem interessar, e servir como inspiração, etc. Todos os momentos de nossas vidas precisariam ser registrados, mas como isso é praticamente impossível, pelo menos aqueles considerados mais importantes não poderiam deixar de ser formalizados para a posteridade.

Foi neste 1º de maio/2009, acordando cedo, quando se comemora o Dia do Trabalhador, com o fito de desenvolver trabalhos que minha outra atribuição (contador) me requisita, atendendo clamor de “clientes” que precisam de meus préstimos, com prazo praticamente esgotado, é que passei a refletir sobre alguns momentos passados, precisamente sobre minha ida à capital do Estado no dia 29/04/2009, a fim de participar de um ato de protesto, em busca por condições dignas de trabalho junto aos administradores do Poder Judiciário/MS, do qual faço parte, com muito orgulho, há 22 anos, sempre na cidade de Dourados, reforçando e dando amparo aos nossos garbosos colegas de luta.

Para alguns que não conhecem, o Poder Judiciário é dividido em 1ª e 2ª instâncias, sendo aquela constituída pelas sedes das comarcas, geralmente localizadas nos principais municípios do Estado, onde um juiz comanda uma Vara (unidade cartorária e gabinete deste), e assessorado por diversos trabalhadores, nos mais variados cargos; esta última, localizada na capital do Estado, composta por seções, onde estão os desembargadores, que (re)julgam os recursos de descontentamento de alguma parte que se manifestou na 1ª instância, e onde também se localiza a sede do Poder (parte administrativa, etc.). Aqui citei, de forma simples, essa composição, apenas para entenderem o enredo para onde quero chegar.

A insatisfação, sentida na pele, reflete, necessariamente, um estado de morbidade por qual passamos em determinado momento. Talvez esse seja o quadro pelo qual os servidores do judiciário estão passando nesse momento.

Voltando ao relato da viagem à capital, faz-se necessário dizer que tivemos que sair por volta das cinco horas da manhã (de Dourados) para se deslocar até aquela pujante cidade. Alguns colegas, marinheiros de primeira viagem, a princípio demonstravam ansiedade pelo horizonte que se descortinava, mas não tinham a precisa razão do que poderia acontecer ou estava por vir, mas encorajados pelos mais experientes, seguiam suas “orientações” e ouviam, atentamente, histórias do passado de luta.

Proletariados que somos, chegando à sede do Tribunal de Justiça, podemos enxergar um suntuoso palácio, onde ali, aparentemente, tem de tudo e do melhor.

Não podíamos esquecer, porém, nossa condição de vassalos, essa era a condição. Fomos, literalmente, menosprezados. Por ter conhecimento de nosso ato, que por sinal foi pacífico e digno dos maiores elogios, fomos surpreendentemente recepcionados por uma fileira de policiais, postados a porta, que nos impediram de adentrar a sede principal da justiça. O sol já estava forte, e ficamos em pé, sem acesso a banheiros, salvo exceção de algumas mulheres, que com jeitinho conseguiam driblar a truculência que nos era imposta. Sim, fomos tratados com desdém, inclusive por colegas nossos que trabalham lá, se é que posso assim chama-los, pois passavam por nós e até viravam o rosto, como se fôssemos mambembes e arruaceiros. Enfim, o descaso foi enorme para com aqueles que lutam nesse poder com galhardia e espírito cooperativo e sentem-se, enganosamente, parte componente do Poder.

Da posição em que nos encontrávamos, e para chegar à cantina, poderíamos atravessar o saguão, mas para lá podermos nos dirigir, os policiais pediam para que rodeássemos o prédio, que não é pequeno, como se fôssemos “leprosos” e nossa interferência naquele espaço pudesse “contaminar” e representar perigo à grande maioria que ali “vegetam” em estado de submissão absoluta, néscios por natureza.

Em ato de sublimidade, por sapiência não demonstrada já há muito tempo, os condutores do protesto souberam, como verdadeiros paladinos, conduzir a negociação e os encaminhamentos, e aqui quero parabenizá-los pela atitude louvável e digna dos melhores elogios. Que assim possam continuar, pois com isso teremos mais adeptos e que estes possam engrossar as fileiras, pois a luta não pode parar, sob pena de sofrermos as consequências futuramente.

Embora ainda tivemos que passar por alguns martírios, como almoçar o matulão num escaldante sol do meio-dia, no calçamento asfáltico, com raríssimas sombras, disputadas palmo a palmo pelos valentes “guerreiros”, e ainda por sermos impedidos até mesmo de nos acomodar numa mureta que estava de fronte ao Banco Sicredi porque nem ali o guarda nos deixava alocar; por sermos tratados com desdém pela maioria absoluta dos servidores do Fórum de Campo Grande, que se encontravam trabalhando e sequer nos apoiava no movimento; por sermos tratados como verdadeiros arruaceiros pela administração do TJ; por termos ficados de pé, sob o sol, praticamente o dia todo, pois só saímos da capital por volta das dezenove horas, é que aqui, matutando, acredito que não faço parte do quadro da JUSTIÇA, apenas sou um serviçal.

Recordações de outrora afloraram, especialmente ao rever colegas de luta de longas datas, que ainda não desistiram: JOEL, ALDO, PAULO, IZAÍAS e meu propedêutico irmãozinho camarada MORAIS, todos da capital; o GERSON, de Corumbá; o TADEU, de Fátima do Sul, e me desculpem outros colegas que lembrei da fisionomia, mas não dos nomes. É isso aí, colegas, não desistam, pois a vida continua.

Isso me trouxe uma recordação de minha infância, quando estava numa sede de uma grande fazenda, com uma varanda que cercava toda a casa principal, e num dia de vacinação de gado, com várias pessoas que ali estavam colaborando para o sucesso do evento, na hora do almoço estes sequer puderam ficar na varanda, tendo que se acomodar às sombras das árvores para a ceia. Que mundo melancólico e desleal é esse em que vivemos. Mudam-se apenas os cenários, mas os protagonistas continuam atuando de forma sintomática, cada um no seu quadrado.

Ainda acredito em dias melhores, e não vou desistir disso, pois a vida é assim mesmo, já que o sol nasce para todos, mas a sombra é apenas para os bons. Mas, valeu, e se me chamarem novamente, lá estarei, com orgulho e disposição.

Uma frase aqui quero enfocar, pois acredito que registrada já em várias oportunidades, que em minha época de Faculdade, ao avista-la num mural, tornou minha filosofia de vida, dita há muitos e muitos anos pelo filósofo chinês Confúcio: “O SER HUMANO SUPERIOR EXIGE TUDO DE SI MESMO; O INFERIOR, DOS OUTROS”. Assim, procuro me pautar dentro daquilo que entendo ser o certo, e todos, acredito, sabem de que lado estou.

O MUNDO DE HIPOCRISIA EM QUE VIVEMOS

Como funcionário do Judiciário do MS, já vivenciei muitas situações e promessas. Algumas foram cumpridas, outras não passaram de … Entretanto, a cada novo mandato de direção do Tribunal de Justiça, sempre, nós servidores, esperamos algo de bom. Neste início de mandato fomos até pegos de surpresa quando a direção do TJ concedeu a seus servidores o bônus de um dia de descanso (a partir do final de fevereiro/2009) para quando o servidor fizer aniversário, justificando, entre algumas razões, a de compensação pelo labor prestado e a necessidade do servidor estar junto de seus entes queridos (família) no dia “mais importante de sua vida”. Porém, após manifesto da OAB-MS, estampado em canais de mídia de nosso Estado, como surpresa depara-se na revogação de tal medida (16/03/2009), em tão pouco espaço de tempo, sob argumentos que destoa da mais pura verdade.
Não consegui me conter e estou aqui, neste espaço, em horário de folga (sábado), porque durante esta semana trabalhei quase que o dia todo, preocupado com o grande volume de trabalho que se acumula no cartório, para desabafar.
Peço desculpas aos colegas que pensam o contrário, mas lendo atentamente os motivos que levou o Tribunal de Justiça a conceder o dia de folga aos aniversariantes componentes de seu quadro de funcionários, chego à conclusão de que isso representaria pouco no nosso dia-a-dia (para o Servidor), mas para o TJ seria algo que refletiria positivamente, com certeza, na política de amistosidade para com seus servidores. Agora, menos de 15 dias após, lendo a Portaria que revogou tal “benefício”, percebo o quanto de demagogia estava inserta na Portaria anterior.
Pessoal do Judiciário de MS, vamos acordar !!! Só para ilustrar: ao trabalharmos 10 minutos por dia, a mais, no ano estaremos trabalhando cerca de 07 dias gratuitamente ao Poder, já excetuado o mês de férias. Vale ressaltar, ainda, que esses 10 minutos, certamente, não chegam a ser, sequer, a média de “extras” executadas pelos Servidores, que é muito maior, sem receber nada por isso.
Por certo, o Sr. Presidente da OAB é um grande escravocrata. Afirmou, ele: “A folga vai contra o objetivo de dar celeridade ao Poder Judiciário.” Ora, Sr. Presidente, alguém da OAB já analisou, efetivamente, quais são os motivos que levam a dar celeridade aos atos praticados pelo Poder Judiciário? Poderia, aqui, citar muitos agravantes: A falta de estrutura laboral, pois nos últimos anos o único avanço foi a informatização que, inclusive, já está obsoleta; o constante aumento da demanda dos jurisdicionados e a estagnação do quadro de Servidores, inclusive da própria estrutura cartorária, que é a mesma há mais de 10 anos; o crescente número de distribuições de feitos, onde nos últimos 10 anos já ultrapassa, assustadoramente, a casa dos 500%!!!; a falta de uma política de humanização do servidor, onde somente se cobra e nada oferece; o esgotamento físico do servidor, que para atender um mínimo necessário já está desgastado fisicamente e psicologicamente abalado ao extremo, de modo que as “doenças” estão a todo vapor, basta olhar os atestados médicos e as constantes licenças “legais”; a escorchante cobrança por produtividade vinda de entidades que desconhecem o mundo prático funcional processual; o engodo que se pratica nas administrações, com políticas que nada contribuem a resultados práticos objetivos; enfim, as promessas de melhorias que são constantemente alimentadas e propaladas e que não acontecem; etc. De nada adianta cursos, seminários, e outros engodos, se o cerne da questão não está sendo tratada: falta gente para trabalhar (material humano, mesmo) !!!
Por que, então, a OAB-MS não se insurge quanto à redução das férias dos magistrados, que são de 02 meses? Será que não é conveniente? Ou um juiz de férias por mais 30 dias, além dos 30 dias de qualquer trabalhador, não faz a diferença / não contribuiria para a tal celeridade almejada? Nutro grande respeito a todos os magistrados com os quais eu trabalhei, que são pessoas normais, como eu, mas não vejo motivo para tal privilégio. Também somos trabalhadores humanos normais, que também comportam sentimentos, têm cansaço, família, preocupações, e talvez levam a vida com maiores dissabores, levando-se em consideração e comparação, principalmente, a parte financeira. Por tudo isso, não venha, Sr. Presidente da OAB-MS, nem a própria administração do TJ me convencer de que a revogação do dia de “folga” fará com que os problemas da celeridade processual seja resolvida. Ficou na mesma, e a “mesma” está insuportável, chegando ao extremo. Quiçá dias melhores virão, mas não com atitudes desse naipe. O que falta, realmente, são atitudes e não engodos. Estamos cansados de promessas, mesquinhez, demagogias, e outras tantas faltas de atitudes que nos tem deixado enojados.
Ah ! só para finalizar, continuarei na minha luta, honesta, incansável e prestativa, em prol de uma sociedade cansada de demagogias, até onde minhas forças suportarão, como sempre tive a hombridade de defender este Poder onde trabalho há 22 anos, mas confesso que doravante deixarei de trabalhar meus “10 minutos de extras” por dia. Grande abraço a todos, e não desistam de seus sonhos, e lutem por dias melhores. Vale a pena !!!

PROCURO UM CANDIDATO EM QUEM VOTAR !!!

Desde que me tornei eleitor, já se passaram muitas eleições em que exerci o poder do voto, mas sempre por obrigação / imposição legal do que por simpatia cidadã. Não que eu seja muito exigente, mas já tive muitas decepções com meus candidatos, especialmente com aqueles que foram eleitos com minha contribuição, motivo pelo qual nesta eleição procuro, mais uma vez, a satisfação plena de meus anseios enquanto cidadão brasileiro. Não que eu seja muito exigente, mas enquanto cidadão consciente, com algumas limitações, nesta eleição ainda não consegui detectar nenhum candidato que possa preencher esta lacuna. O candidato que tenho procurado deve possuir, no mínimo, alguns requisitos básicos de qualquer cidadão que anseie em administrar ou lidar com a coisa pública. Não precisa ser milionário, mas que não faça de seu mandato uma outra fonte de renda para sua sustentação e somente isso; não precisa ser tão “estudado”, mas que não me envergonhe quando estiver no exercício de seu cargo, cumprindo aquilo que a lei o atribuiu; que não use de seu posto como meio de promoção pessoal ou a de outro apadrinhado seu que não mereça; que não utilize as prerrogativas “ilegais”, usando de subterfúgios das brechas legais, a fim de fazer do cargo que representa uma verdadeira “cabide de emprego” àqueles incompetentes que de outra forma não tiveram acesso a cargos públicos, notadamente por intermédio de concursos; que preserve a lisura de seu cargo, sempre demonstrando presteza em atender ao público, indistintamente, nos momentos em que se fizer necessário; que não prometa além daquilo que possa cumprir, e, se o fizer, que possa responder, até mesmo judicialmente, por estelionato eleitoral e outras conseqüências advindas de mentirosos e geradores de perspectivas fantasiosas; que no exercício de seu cargo somente digam e propalem aquilo que fizeram e não o que vão fazer ou que deixaram de fazer por “n”s motivos; que tenha conhecimento de todos os aspectos inerentes ao município em que vivemos, suas conseqüências, e conheça os anseios da comunidade, e procure, dentro das prerrogativas legais, atender às expectativas da população, independentemente de credo, raça ou qualquer outro valor moral; que não fuja do clamor popular, quando for questionado, quando em atos contrários aos interesses gerais; que se dedique de corpo e alma ao (en)cargo que está almejando, deixando qualquer outro compromisso em segundo plano, obviamente que exceto o familiar; que tenha uma história de luta e não simplesmente com atuações em “milagres” ocorridos em vésperas de eleições; que não tenha perspectivas de melhoria de sua condição de vida econômica atual, na função pública que pleiteia, pois que independe desta porque já está consolidado nesse segmento, seja profissionalmente ou moralmente. Enfim, poderia traçar aqui uma outra série de requisitos que entendo necessários a quem pleiteia algum mandato público, mas apenas estes seriam suficientes para conquistar meu voto. Com isso, deixo a pergunta no ar: Alguém se sujeita a ganhar meu voto? Não se esqueçam de que quem se dispuser, farei questão de guardar isso como cartilha de cobrança. Cidadão consciente não se vende, é conquistado. Eis, então, um grande momento para o exercício da mais sublime forma do exercício da cidadania, qual seja, colocar pessoas para administrar os parcos recursos que todos nós contribuímos, até mesmo de maneira sofrível, e que devem ser utilizados e aplicados de maneira correta e justa.  

 

João Alcântara de Almeida

Professor universitário, Perito-Contador e Funcionário Público (concursado).

e-mail: jalcalm@yahoo.com.br  

Olá, pessoal !!! Sejam bem vindos ao meu blog.

Sejam bem vindos ao meu blog.

Façam boa leitura nesses artigos que, com muito carinho, os coloquei aqui.

Professor, um vendedor de sonhos!

Essa é uma frase que pode perfeitamente definir o papel do professor. É claro que essa designação não representa algo que desprestigia sua função perante a sociedade, pelo contrário, implica em dizer ser este um profissional de suma importância à sobrevivência de todas as outras profissões, o por isso de sua magnitude importância. Sonho, nesse caso, tem uma conotação diferente de ilusão. Sonhar representa ter aspiração, desejo de se atingir uma meta/objetivo, ou expectativa de que algo de positivo possa lhe acontecer; já ilusão representa um engano dos sentidos ou da mente, que se faz passar uma coisa por outra. A figura do professor representa um acalanto aos mais imagináveis sonhos, especialmente na sociedade mercantilista em que vivemos, onde as pessoas buscam galgar melhores condições econômicas/financeiras e, com isso, terem uma melhor condição de vida. Também, sobre si, está depositada uma grande responsabilidade, em virtude da incumbência que lhe é imposta de formar o caráter moral das pessoas, donde muitos pais “delegam”, mesmo que indiretamente, essa função aos “mestres” da educação. É muito comum ouvir pais de família dizerem: “vá para a escola ver se aprende alguma coisa de bom”. A expectativa depositada no professor é muito grande, principalmente em nossa sociedade, geralmente corrompida por muitos aspectos, e que vêem na imagem deste um baluarte de suprema moral, sem nenhuma mácula. Ser um vendedor de sonhos implica em dizer tudo isso, ou seja, realizar os mais diversos desejos de formação de conduta pessoal e profissional do cidadão. “Nunca deixe de sonhar”, é o que muitos dizem. Logo, é de se conceber o quão importante é o papel desempenhado pelo professor, onde, sem sombra de dúvida, esta é a mais digna das profissões, pois formadora de todas as outras. Professor, nesse sentido, não pode simplesmente restringir-se ao papel daquele profissional “preso” a uma sala de aula ou em situação similar, mas a todos aqueles que professam algo de útil e que serve como balizador de ações ou de inspiração para alguém. Com relação ao ensino do malefício, isto não se pode enquadrar como uma arte tida do professor, cujo papel é contrário aos ensinamentos delegado a este profissional. O professor também é um profeta, pois a ele é incumbido, mesmo que subjetivamente, o papel de prever o futuro, qual seja, de antever o que melhor deve ser ensinado para que no futuro algo de bom seja colhido em benefício daqueles que seguirem seus ensinamentos. Por tudo isso, parabéns professores pelo seu dia, e que num futuro próximo possam ser reconhecidos, de direito e dever, como a mais digna das profissões, e possam ser respeitados como tal. Parafrasendo Roberto Shinyashiki: “tenha sonhos grandes”. Busque no seu professor a concretização disso e, sem dúvida alguma, atingirá seus objetivos.

OS MÉDICOS DA PESSOA JURÍDICA

A medicina para a pessoa física, nos últimos tempos, tem se especializado e se aprofundado nas diversas áreas do conhecimento, especialmente no trato particular dos órgãos e partes distintas do corpo humano. Tal especialização tem-se chegado a estudo de minúcias, e é óbvio que o intuito é satisfazer às necessidades do ser humano, evitando que males possam se proliferar, além do mais, fazer com que a cura de determinados males também sejam concretizados definitivamente, fato que outrora era mais difícil, ou quase impossível.

Indiferente ao que acontece com a pessoa física, a pessoa jurídica também sofre de muitos males, e para isso é que se busca na pessoa de profissionais capacitados a cura para tais.

Com o passar dos tempos, e diante da complexidade dos sistemas econômicos, os males que afligem a pessoa jurídica tem se retransformado, agigantado, tomando rumos incertos da noite para o dia, fazendo com que aquelas empresas mal assessoradas tenham sido tomadas de súbito, não mais se levantando, derivando, conseqüentemente, na quebra (falência) de suas atividades.

Em nosso Estado, não diferente do que acontece no restante do país, ainda estamos despreparados para enfrentar esses males que assoberbam as pessoas jurídicas, tanto é verdade essa afirmativa, que é assustador o número de empresas que abrem suas atividades e no máximo em dois anos já estão com suas atividades encerradas, bastando ver as estatísticas fornecidas pelas Juntas Comerciais. Cabe ainda salientar que tal estatística se dá para aquelas empresas que efetivamente dão legalmente suas baixas. E quantas outras que “fecham suas portas” e não dão a devida baixa no registro do comércio, face a burocracia imposta para tal, especialmente pelo pagamento de todos os tributos em aberto (atraso), analisando que tais já foram influência de tal fechamento?

A medicina para a pessoa física quanto para a pessoa jurídica, para se tornar eficaz, tem que atuar preventivamente, caso contrário podem acontecer alguns males que dificilmente se tornarão remediáveis, irreversíveis.

Daí, para a pessoa jurídica, a importância de se ter em seu quadro “médicos” (profissionais) capacitados, e que tenham a visão preventiva, e isso é perfeitamente possível, porém poucos a utilizam.

Assim como acontece com a pessoa física, a medicina para a pessoa jurídica também se distribui em várias áreas, como por exemplo no ramo da contabilidade, da administração, da economia, do direito, da psicologia, da matemática, etc. No entanto, algumas delas têm atuação preventiva, e outras têm mais atuação curativa. A primeira citada (a contabilidade), de atuação preventiva, a meu entender, é a mais necessária, pois somente através do registro dos fatos econômicos e financeiros que acontecem na pessoa jurídica, e que tem grande influência em todo o contexto empresarial, é possível detectar uma séries de circunstâncias que abrirão os olhos daqueles que atuarão dali em diante. Tais registros ensejarão dados para as tomadas de decisões, que poderão ser feitas pela administração, pela economia, etc.

Para o registro dos fatos econômicos e financeiros, pressupõe-se ao contabilista um conhecimento vasto da área empresarial, aqui correlacionando como se fosse um clínico geral, pois além do conhecimento contábil, ele deve ter, também, conhecimento na área do direito (especialmente o tributário – fiscal e trabalhista), na administração (planejamento de metas – programática e orçamentária), na economia (análise e formulação de índices de acompanhamento das atividades empresariais).

Também em idêntica situação à da pessoa física, onde vários profissionais, cada um no seu ramo de especialização, devem trabalhar em harmonia, com um único objetivo, que é o bem estar do ser humano, tal também não pode ser diferente para os profissionais da pessoa jurídica, mas infelizmente isso é o que não tem ocorrido, pois cada profissional se isola um do outro, e talvez esse seja um dos motivos para a grande “mortalidade” das pequenas empresas, pois ainda não despertaram para tal fato. No que se refere às grandes empresas, tal realidade tem sido melhor trabalhada, pois há um profissionalismo mais latente, e isso tem sido um dos fatores de destaque na comparação entre a grande e a pequena empresa. No entanto, para o pequeno empresário que quiser sobreviver no mercado competitivo que nos encontramos, onde a tendência é se acirrar ainda mais, a saída é, sem sombra de dúvida, ter em seu  quadro de profissionais os “médicos” supra referidos, com a finalidade de atuarem preventivamente na administração da vida empresarial, a fim de evitar o indesejável, qual seja, ser mais uma empresa “morta” na triste realidade estatística divulgada periodicamente pelo “cartório” de registro das pessoas jurídicas, que é a Junta Comercial.