REFLEXÕES SOBRE AS CASTAS POLÍTICAS BRASILEIRAS
Por João Alcântara de Almeida
É fato que as castas políticas no Brasil são quase bem delineadas, a saber: 1ª) os representantes da burguesia (geralmente os empresários dos grandes conglomerados, nos mais diversos segmentos), como predominância; 2ª) os representantes da elite cultural (geralmente formada por ex-professores ou militantes nessa classe, que emergiram da base), com poucos representantes, mas eloquentes nos discursos; 3ª) os representantes do proletariado (formada, em sua grande maioria, por ex-dirigentes sindicais ou de pequenas associações), tendo estes vários representantes; e, por fim, 4ª) os representantes de congregações religiosas (geralmente formados por bispos, pastores e seguidores fanáticos religiosos que usam da religião como meio para se promoverem). Poderia, aqui, citar outras classificações, mas as aqui definidas, certamente, congregam a maioria absoluta dos políticos de nosso país.
Não nos iludamos em acreditar que o interesse da comunidade esteja em primeiro plano nas intenções desses políticos, por mais que tenham saído de suas bases eleitorais, com incumbências representativas bem definidas. É evidente que os interesses particulares permeiam suas condutas, e o tempo que sobrar será dedicado àqueles que são seus representados. É nesse emaranhado de convicções que nos situamos. Os conflitos de interesses são fáceis de serem detectados, mas, no fundo, quando eleitos, todos perdem suas identidades e passam a ter uma só, a do interesse próprio. Ademais, pelas mordomias e polpudos salários que ganham, deixam de serem pertencentes ao proletário, quem dele saiu. Alguns ainda insistem nessa pecha, mas apenas como mote para sua continuidade no poder.
Ante as condições criadas pelos próprios políticos e a conivência de uma sociedade inerte moralmente, quem detém o poder deita e rola com os benefícios que são muitos e estão a sua disposição, pois o dinheiro público, a cada minuto, jorra como a água do rio em direção ao mar, quase sem fim, às duras custas de todos nós contribuintes.
Nos aconchegos de seus suntuosos gabinetes planejam as mais diversas ações para suas manutenções e perpetuação no poder. Agarram com unhas e dentes todas as possibilidades, mesmo se estas contrariarem a vontade da comunidade, mas desde que não seja em seu detrimento. Gastam fortunas para se elegerem, mesmo sabendo que a retribuição pelo mandato que exercerão, pelo menos no valor declarado, nem de longe consiga recuperar o valor despendido. Assim, ao chegar ao poder tentam, de todas as formas, buscar os artifícios ilegais e imorais para fazer frente àqueles gastos desembolsados e, é claro, como ninguém é de ferro, também buscar umas sobras para os futuros “investimentos” em novos mandatos, sempre mais auspiciosos.
Na farra com o dinheiro público, não sobra nenhuma decência, gastam como podem e como não podem. Empregam seus mais diversos apadrinhados, desde os parentes até amigos de amigos, a fim de cumprir seus favores e poderem contar com estes nos próximos pleitos.
Compromissam-se, independentemente da classe que representam, com qualquer um, principalmente com os empreiteiros e profissionais que laboram na execução de contratos públicos, que são loucos por emendas e destinações públicas. Estes profissionais têm lobistas qualificados para só fazerem o trabalho de “visitações” aos parlamentares e aos membros dos executivos. Isso é fato público e notório. Muitas das empreiteiras são constituídas em vésperas de eleições e após a realização destas, já com segundas intenções. E o pior, boa parte dos políticos também são empreiteiros, mesmo seus nomes não aparecendo diretamente como detentores do capital, mas por intermédios de fachadas ilícitas, com os chamados “laranjas”.
Enfim, poderia ficar escrevendo laudas e laudas sobre o assunto que dificilmente iria esgotá-lo por completo, pois a cada dia surgem novas notícias e fatos que nos deixa envergonhados de toda uma corja de malversadores do dinheiro público.
Acredito que ainda há solução para boa parte desses problemas, podendo citar algumas: 1ª) que se limite o gasto de campanha para cada candidato, especialmente a um percentual de sua retribuição quando estiver no exercício do mandato; 2ª) que o serviço público tenha em seu quadro somente servidores de carreira, por intermédio de concurso público, sem pendência a qualquer político; 3ª) que as empreiteiras que forem concorrer nas licitações tenham, no mínimo, dez anos de atividade no ramo que pretende disputar as licitações, e que seus proprietários sejam preliminarmente investigados exaustivamente por quem de direito, e que um serviço ganho em licitação jamais possa ser terceirizado. Estas são meras e simples atitudes que se adotadas provavelmente diminuirá em muito os escândalos que a cada dia surge em nosso país.
Que este 07 de setembro de 2009 seja, efetivamente, um marco de mudança na postura política deste país, em todas as instâncias.

