A partir do momento em que uma empresa passa a existir (legalmente ou não), ela gera uma série de conseqüências no ambiente onde a mesma está situada. Embora a mesma seja constituída por pessoa(s), a partir daí ela passa a ter vida autônoma, própria, desvinculada da(s) pessoa(s) de seu(s) constituinte(s), pelo menos essa deve ser a ótica. No entanto, e apesar de ter vida própria, por ser um ser inanimado, a empresa por si só não é capaz de dirigir seus passos, necessita estar em consonância com outras pessoas, sejam físicas ou jurídicas. Portanto, deve-se questionar, então, qual seria o papel de uma entidade inanimada, no caso a empresa? Não fica difícil responder a esse questionamento, pois o papel principal da existência de uma empresa é satisfazer as necessidades de pessoas (físicas ou jurídicas) ligadas direta ou indiretamente a ela. Essas pessoas incluem: a) o investidor do capital: seguindo um princípio contábil legítimo, o da entidade, a partir do momento em que o investidor do capital faz sua aplicação na empresa, este passa a ter um direito para com a mesma e esta, concomitantemente, passa a ter uma obrigação para com o detentor do capital. É indubitável que a expectativa do investidor é maximizar seu investimento inicial, e, daí, então, é que decorre da obrigação da empresa em atender essa expectativa; b) o cliente: este é a principal razão da existência da empresa, e com certeza seu maior patrimônio, pois sem ele não se justifica o nascimento da mesma. Portanto, fica evidente que o foco da empresa deve ser sempre o de atender às necessidades do cliente, e, para isso, então, é que a empresa deve buscar meios, seja através de pesquisas, seja através do próprio estudo de mercado, a fim de descobrir qual é o verdadeiro anseio do cliente (qualidade, atendimento, preço acessível, etc.). É de se ressaltar, também, que não basta apenas conseguir o cliente, mas ter como meta fidelizá-lo, mesmo que para isso sejam feitas concessões momentâneas; c) a comunidade: mesmo que não possa parecer, a empresa também deve satisfação à comunidade onde a mesma está inserida, pois é a partir desse engajamento é que ela poderá se manter inabalável ou até mesmo conseguir conquistar novos clientes; d) os funcionários: a nova política de recursos humanos dita que a empresa não deve tratar os funcionários como meros empregados, mas sim como colaboradores. Colaborar implica dizer em comprometimento, e comprometimento significa “vestir a camisa” mesmo! É claro que esse comprometimento deve ser de ambas as partes. Talvez seja isso o que esteja faltando na maioria das empresas, ou seja, a falta de comprometimento recíproco, empresa-funcionário e vice-versa, e isso tem levado a problemas seríssimos, especialmente, de um lado, um apenas preocupado com a remuneração do mês trabalhado, e, de outro lado, a preocupação apenas quanto a receber o labor da melhor maneira possível. Falta aí uma maior sensibilidade, sintonia, sinergia, sendo que para a empresa isso pode ser demonstrado através de reconhecimentos (salariais ou prêmio, qualificação de seu quadro de colaboradores, etc.), e para o funcionário a responsabilidade de saber que se a empresa for mal, ele sofrerá também as conseqüências negativas; e) o governo: não podemos desacreditar no papel que ao governo é incumbido, principalmente porque em nosso país ao assistencialismo público é dado uma grande ênfase, com um destaque maior neste governo (na seara federal, e, conseqüentemente, com reflexos na estadual e municipal), bastando confirmar isso através dos programas sociais amplamente divulgados (Fome Zero, Vale “isso”, Vale “aquilo”). É notório que o governo não fabrica dinheiro, e, para sustentar toda essa estrutura, a empresa talvez seja hoje a maior responsável e aliada, “forçosamente”, nesse planejamento governamental, contribuindo de forma indireta com o pagamento dos tributos, onde a máquina governamental, ano a ano, demonstra sua ferocidade arrecadatória. Sem entrar no mérito de que haja ou não desvios de verbas, oriundo das arrecadações tributárias, e que tais são ou não coerentemente aplicadas ou revertidas corretamente à população, o que importa é que, pelo senso da divisão do “bolo”, quem pode mais deve reparti-lo, e isso é que faz uma sociedade tornar-se mais justa, e a empresa (pessoa jurídica), com certeza, por estar em condições melhores do que muitos brasileiros (pessoas físicas), pelo menos essa é a lógica, então deve colaborar para quem está necessitando, mesmo que de forma indireta, pagando seus tributos devidamente, e o governo (ente encarregado de manter a justiça social e econômica), como agente arrecadador, ficará satisfeito com isso. Cabe aqui lembrar que qualquer tributo, na sua essência, é arcado pelo consumidor, e se assim não está acontecendo é por falha de uma administração empresarial eficaz, que já é ponto para uma outra discussão.
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