CONTABILISTA: SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO!

É indubitável que as profissões vêm sofrendo drásticas transformações. Essas mudanças ocorrem pela própria circunstância de adaptação às necessidades humanas e empresariais. Como tenho dito, assim como as pessoas físicas precisam de médicos para preservar sua saúde, as empresas e as pessoas físicas também necessitam de “médicos” para preservar suas saúdes financeiras. É evidente que as empresas, assim como as pessoas, no mundo dos negócios, estão em constantes buscas por melhorias, e em determinados momentos passam por situações que requerem a ajuda de um profissional capacitado que lhes dêem a solução para o problema enfrentado.

A contabilidade, como ciência que estuda a evolução e os reflexos que incidem sobre o patrimônio, deve estar a par destas evoluções e necessidades. Por conseqüência, o contabilista, profissional responsável por fazer com que essa ciência desenvolva seu papel com eficácia, deve estar atento às necessidades emergentes de seu público alvo, qual seja, de quem detém patrimônio.

Na classe contábil, como em qualquer outra profissão, iremos defrontar com bons, porém com maus profissionais. O cerne da questão nisso tudo, e para o bem da sociedade, é fazer com que apenas os bons profissionais exerçam suas atividades. No entanto, diante da falta de conhecimento dos assuntos inerentes à contabilidade por parte da sociedade, é que ainda os maus profissionais continuam a enganar e a praticar atos que denigrem a profissão. É para isso que os Conselhos Regionais de Contabilidade destinam suas ações, ainda que com parcos recursos, tanto financeiros quanto humanos, pois o ideal é que suas ações fossem muito mais exigentes do que as que hoje se praticam.

Nesse diapasão é que foi instituído o Exame de Suficiência, através da Resolução 853/99 do Conselho Federal de Contabilidade – CFC (órgão máximo disciplinador da classe contábil). Como a própria Resolução descreve, o Exame de Suficiência surgiu pela necessidade decorrente do interesse da classe de resguardar a qualidade dos serviços prestados ao seu usuário. Tamanha é a importância de tal exame, que a partir dele a classe contábil passou a ser mais respeitada, pois o profissional contábil que pretende exercer sua função, a partir de sua instituição, deve ser aprovado no referido exame, que por sinal exige o mínimo necessário para o bom e fiel cumprimento das necessidades do que a ciência contábil contempla.

Para o exercício da profissão de Contador (bacharel em Ciências Contábeis), no Exame são exigidos conhecimentos de Contabilidade Geral; Contabilidade de Custos; Contabilidade Gerencial; Contabilidade Pública; Noções de Direito Público e Privado; Matemática Financeira; Teoria da Contabilidade; Legislação e Ética Profissional; Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileira de Contabilidade; Auditoria Contábil; Perícia Contábil; Português; Conhecimentos Sociais, econômicos e políticos do país. O Exame tem sido aplicado por duas vezes no ano, sendo nos meses de março ou abril, e setembro ou outubro. Além de respostas objetivas, num total de 50, e com 4 alternativas cada, o exame também ainda pode exigir questões dissertativas. A aprovação dar-se-á para aqueles que tiverem desempenho de no mínimo 50% de acerto das questões.

Por toda essa exigência é que o CFC também baixou a Resolução 948/02, que dispõe sobre a não-concessão de Registro Profissional em CRC aos portadores de certificados e diplomas de nível técnico na área de Contabilidade que concluírem o curso após o exercício de 2003, principalmente por entender que não é possível aplicar ao Técnico em Contabilidade (nível de 2º grau) o conhecimento necessário ao exercício pleno da profissão. No entanto, diante do princípio legal do direito adquirido, para aqueles que tenham concluído o curso, tal situação não se aplica.

Um outro fator de busca pela excelência na profissão contábil, e que há certo tempo vem sendo discutido, é o Exame de Competência, que irá avaliar a atuação de quem já está exercendo a profissão. Sem dúvida que muitos “profissionais” irão ter que fazer uma reciclagem para continuar exercendo a profissão.

Diante dessa nova realidade, vê-se com grande pesar o despreparo das pessoas, principalmente aquelas que querem exercer a profissão, pois estão prestando o Exame, porém que ainda não conseguiram aprovação no mesmo. Reflexo disso são as estatísticas levantadas, aqui citando por exemplo a da 8ª edição do Exame, acontecida em setembro/2003, onde, dos que realizaram a prova, o percentual de reprovação para o aspirante à profissão de Contador foi de 49,67%; já para o Técnico em Contabilidade, a reprovação foi de 71,78%. Nessa edição, o índice de reprovação no Mato Grosso do Sul para a profissão de Contador foi de 75,76%. Para o 9º exame, realizado em março/2004, para os que fizeram a prova, no Técnico em Contabilidade a reprovação foi de 51,88%, e a reprovação para o de contador foi de 49,88%.  Nessa edição, o índice de reprovação no Mato Grosso do Sul para a profissão de Contador foi de 70,27%. Diante desse quadro, é de se perceber que a cada edição tem-se aumentado o índice de reprovação, visto que aqueles que reprovaram nas edições anteriores voltam a realizar o exame, mas ainda sem o preparo devido.

Enquanto professor no Curso de Ciências Contábeis, já com 10 anos ministrando aulas, também pude perceber o quanto é lamentável a atitude de muitos acadêmicos, a maioria por sinal, que não demonstram interesse por apreender o conteúdo aplicado, mas sim somente estão preocupados com a nota, como se aquele respectivo conteúdo fosse somente necessário para a aprovação e não para a formação profissional. Também é lamentável que esses mesmos acadêmicos depois venham nos procurar para darmos algumas dicas sobre o Exame, quando em sua época de faculdade não demonstravam interesse.

Não que a  grade da FIFASUL tenha se adequado às necessidades do Exame de Suficiência, pois primamos em oferecer ao acadêmico algo mais, porém tudo aquilo de conteúdo que o Exame requer está contemplado na grade do curso, o que, sem sombra de dúvida, não pode ser desculpa por desempenhos insatisfatórios. Também é de se ressaltar, com muito orgulho, que nos enchem os olhos sabermos que vários acadêmicos formados pela FIFASUL estão bem colocados no mercado de trabalho, exercendo a profissão com brio, inclusive tendo sido aprovados no Exame de Suficiência, demonstrando que para quem quer vencer na vida não há obstáculos intransponíveis, e que quem sabe faz a hora, não espera acontecer, como já dizia o poeta.

O mundo atual exige do profissional atitudes que somente ele deve descobrir, é claro que com algumas orientações, e essas atitudes, em muitos casos, dependem do esforço individual, tais como iniciativas, garra, persistência, enfim, vontade de vencer na vida.  

Não quero aqui desanimar quem ainda não decidiu pela profissão de contabilista, porém alertar que o profissional que o mercado hoje exige é diferente daquele de “ontem” e o será diferente para o de “amanhã”, e que um conhecimento adquirido será necessário reciclá-lo constantemente, para o fim de adequar-se às necessidades de cada época e ocasião. Campo de trabalho a este profissional, até mesmo por proteção legal, não será motivo de preocupação, porém convém salientar que “somente os bons sobrevivem”, pois essa é a seleção feita pela própria lei de mercado. Também vale dizer que não adianta mudar de profissão se os conceitos e atitudes permanecem os mesmos, pois na outra também defrontará com dificuldades inerentes ao que a profissão exige. Então, a solução é se adequar. Boas atitudes, e a sorte virá.

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