O DESAFIO DE SER PROFESSOR

A atividade de professor talvez seja a mais digna das profissões. O que seriam de todos os profissionais que estão exercendo suas funções por aí se não fosse aquela “mão” alfabetizadora que lapidou tal cidadão para o mundo profissional? Aqui eu quero enfocar que está envolvido nessa etapa da vida aquele profissional do “saber” desde os passos iniciais da criança até a etapa final do processo educativo, se é assim que podemos delimitar, pois os ensinamentos são infindáveis e sempre teremos algo a aprender e/ou a ensinar.

            Quanto ao “mestre” da educação da área contábil, o desafio está se tornando ainda maior, mesmo porque desde o início desta profissão (1.946), muito recente, por sinal, até os dias atuais, as transformações vêm sendo radicalmente sentidas. De início, a atividade era um tanto mecânica, do tipo siga o modelo”, não dando oportunidade para que o profissional pudesse fazer uso da ciência contábil para o seu verdadeiro objetivo. Daí, graças às exigências do próprio mercado, a profissão teve que se adaptar para atender aos mais diversos anseios, passando, assim, o profissional, a ter que demonstrar todos os aspectos que envolve o patrimônio da entidade e, com isso, dar um sentido gerencial para que o usuário possa tomar decisões certeiras em cima das informações prestadas pelo contador.

            O mercado profissional, de hoje, ainda tem uma grande quantidade de profissionais da “velha guarda” atuando, cuja formação teve influência das regras de outrora. Quebrar paradigmas representa um dos maiores desafios do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão regulador da profissão contábil, mesmo porque esses “profissionais” estão envolvidos intrinsecamente no processo. Por isso, cabe aos profissionais do ensino lapidar os futuros contadores para a nova visão e exigência do mercado, especialmente pelo fato de que, diante da globalização, já não podemos assegurar que o campo profissional se restrinja somente aos aspectos nacionais, mas, sim, para o contingente mundial.

            Por outro lado, de nada vale a teoria aplicada, se não contemplarmos os aspectos práticos, ou seja, onde cada ensinamento pode ter aplicação. Há uma grande dificuldade em assimilar essa teoria à prática, tendo em vista que os estágios dos acadêmicos em empresas fica muito restrito a poucas pessoas, face a peculiaridade da situação, pois, nesse caso, os dados da empresa seriam confiados à pessoa sem vínculo para com esta, e é daí que reside tal resistência.

            No entanto, acomodar-se diante de tal impasse representa admitir limitações que pode comprometer a formação do profissional contábil da “nova era”. Com isso, as simulações empresariais podem representar um fator preponderante no processo do ensino/aprendizagem. Podemos contemplar tais nas mais diversas áreas de atuação da empresa, desde o comportamento humano, passando para o de mercado e culminando com a área contábil em si, especialmente a gerencial, sendo esta a tônica desta ciência, atualmente. Há possibilidade de utilizarmos várias técnicas de ensino, indo desde os estudos de casos, os jogos de empresas e a até mesmo a utilização de empresas júnior. Obviamente que tais passos não podem ser feitos isoladamente, devendo, portanto, haver o intercâmbio de disciplinas, isto é, a interdisciplinaridade, e até mesmo implementar atividades inter-cursos, como no caso mais específico com o curso de administração, onde a área é correlata e os aspectos, em muitos casos, salvo raríssimas exceções, são muito comuns.

            Noutra banda, aguçar a visão crítica do acadêmico é fator primordial na busca por resultados melhores, especialmente se analisarmos do ponto de vista de que não há possibilidade de obtermos sucesso em nossa caminhada se não houver a assimilação e concordância da outra parte envolvida nesse processo, que são os alunos.

            Todo esse processo se torna latente à medida que as exigências e anseios da comunidade requer tal aplicação. Por isso, ao professor, como disseminador do conhecimento, cabe o papel de desvendar os meios ou técnicas que reflita e congregue essa necessidade. O resultado será só questão de aplicação, porém não podemos dar ao luxo de adiarmos tanto, pois o “tempo não pára”, parafraseando o poeta.

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