O PROFISSIONAL NOTA 7

Na maioria ou quase que na totalidade das escolas (do ensino fundamental ao terceiro grau, e até mesmo na pós-graduação), o aluno é considerado aprovado quando se tira nota igual ou maior que sete, dentro de um parâmetro que vai até dez, ou seja, se acertar 70% do contexto geral presume-se aprovado, isto é, está apto e conhecedor o suficiente do conteúdo aplicado.

Também, na sua grande maioria, o aluno passa a entender e a se condicionar que a nota é o fator mais importante, em detrimento ao conhecimento, e durante toda sua vida acadêmica o faz simplesmente por ela, pois o “passar de ano” é o que importa. Essa mentalidade passa a ser uma tônica predominante na vida acadêmica, e, infelizmente, também o será, conseqüentemente, na vida profissional.

Qual cliente, sabedor do fato, delegaria seu serviço a um profissional nota 7? Qual segurança, então, haveria de se ter do “produto” desse serviço se algo poderia estar incompleto?

Ter a nota 7 como fator de aprovação, inclusive para fins profissionais, é um equívoco que precisa ser urgentemente trabalhado na “cabeça” dos alunos, seja para qualquer nível de ensino. Admitir o 7 como fator de aprovação na vida profissional significa admitir erro de 30%, e isso, para os padrões de competitividade que nos encontramos, é inadmissível.

Então, como profissionais da educação, como poderíamos trabalhar esse delicado tema? Decerto que o tema é polêmico e qualquer posição que viesse a mudar o atual sistema encontraria resistência junto aos órgãos governamentais detentores da organização política educacional neste país, e talvez de alguns educadores. No entanto, não podemos nos calar diante de tal celeuma, a qual tem causado problemas irreversíveis no ensino brasileiro, tanto é que já se fala em alto tom sobre “reforma universitária”, como se essa fosse o ponto chave da questão e não o ensino de base, onde os alunos são moldados a esquemas e macetes para vestibulares, e tão somente isso.

O primeiro passo para solucionar tal impasse, acredito, seria fazer com que os alunos enxergassem que o conhecimento deve prevalecer à nota, em qualquer circunstância. Além do mais, é de salientar que na vida profissional não se admite erros, e talvez esse seja o aspecto mais importante do convencimento de que a nota 7 não deve servir de parâmetro para aprovação ao exercício de qualquer profissão.

A controvérsia, diante de tal assunto, poderia se prolongar, especialmente em se considerando algumas variáveis lógicas e conhecidas, tais como: a obtenção da nota depende do conteúdo aplicado; do grau de exigência; no grau de conhecimento do aplicador do teste; da espécie de teste;  das circunstâncias do ambiente do teste; do nível de exigência do contexto estudado; da temática profissional exigida, etc.

A minha pretensão era apenas trazer à tona a discussão para esse delicado tema, inclusive para ser tratado por todas as partes envolvidas, quais sejam: autoridades educacionais, docentes, classe acadêmica, educadores, comunidade, etc. O resultado futuro dessa discussão somente o tempo dirá, porém o que não se pode admitir é que tal situação prevaleça incólume no seio do ensino educacional brasileiro, sob pena de termos gerações e gerações profissionais tidas como praticantes do “jeitinho brasileiro”.

2 Comentários

  1. Já vou usar em sala de aula

  2. Olá Professor! Tudo bem? Gostei do seu artigo. Parabéns!


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