A relação entre os Bancos (instituições financeiras) e as empresas tem como fonte de subsistência o crédito bancário, crédito esse que é determinado pelo uso do limite do “cheque especial”, bem como de empréstimos/financiamentos concedidos por aqueles. É indubitável que a parte mais forte nessa relação são as instituições financeiras, e por esse motivo as regras são ditadas por estas, sempre a seu favor, é lógico. A partir desse princípio, percebe-se claramente que as empresas sempre estarão em desvantagens quando entram numa relação de dependência, porque quanto mais esta relação se aprofunda, maior é a contribuição da parte mais fraca.
Qual empresa ou empresário, hoje, pode ser dar ao luxo de isentar-se do domínio do mundo capitalista, onde o mercado fica à mercê dos grandes conglomerados financeiros (Bancos)? Se por um lado, para as empresas, a obtenção de recursos de terceiros (empréstimos/financiamentos) chega a ser uma necessidade em determinado momento, a fim de subsidiar suas atividades, por outro lado essa relação não pode ocasionar uma dependência a ponto dos recursos carreados pela mesma serem quase que totalmente destinados a saldar os compromissos para com os Bancos. É incrível como essa dependência e descontrole tem se perpetuado nos últimos anos, chegando ao absurdo do empresário ter de fazer um empréstimo para saldar outro empréstimo, e, geralmente, em condições mais gravosas, porque no desespero não há oportunidades de se estudar alternativas mais viáveis, especialmente porque nessa situação não há mais escolhas.
A justiça (Poder Judiciário) tem limitado, ainda de forma tímida, o poder das instituições financeiras, porém os focos são sempre desviados, pois quando o judiciário reduz as receitas dos Bancos, oriundas das cobranças dos encargos excessivos, estes procuram outras formas de compensação, aumentando o custo de seus serviços. O pior de tudo isso é que os serviços são, geralmente, dependentes do foco principal, sem oportunidade de opção ao empresário (talonários de cheques, taxas e mais taxas a bel prazer da instituição financeira, etc.).
As dívidas das empresas para com os Bancos estão, a cada dia, aumentando. Pelo atual estágio, constata-se que as empresas estão indo para uma situação de insolvência, não pelo fato de não haver bens que garantam as dívidas, pelo menos no momento, mas porque se isso acontecer, isto é, a entrega dos bens para pagar as dívidas, será então o final da existência do ente empresarial.
A sanha das instituições financeiras pelos enormes lucros tem um “preço”, e esse preço será o fechamento da maior parte das empresas. A quem isso interessa? Aos Bancos, com certeza, somente em curto prazo. E como ficará a situação em longo prazo?
Ao empresário só resta fazer um replanejamento de todos os aspectos que contemplam essa relação, mesmo porque se continuar assim não haverá muito tempo de sobrevivência. Uma relação saudável somente se fortifica quando as duas partes envolvidas saem ganhando, e para que isso aconteça deve haver uma mudança de paradigmas, ou seja, reparte-se o ônus e o bônus em condições igualitárias. Contudo, deve-se partir de uma retomada drástica e mudança de atitude, ou seja, da estruturação da consciência empresarial e profissional, e é ver para crer, porém espero que esse cenário se transforme numa relação duradoura e profícua para ambas as partes, e assim todos (a sociedade em geral) sairão lucrando.
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