A medicina para a pessoa física, nos últimos tempos, tem se especializado e se aprofundado nas diversas áreas do conhecimento, especialmente no trato particular dos órgãos e partes distintas do corpo humano. Tal especialização tem-se chegado a estudo de minúcias, e é óbvio que o intuito é satisfazer às necessidades do ser humano, evitando que males possam se proliferar, além do mais, fazer com que a cura de determinados males também sejam concretizados definitivamente, fato que outrora era mais difícil, ou quase impossível.
Indiferente ao que acontece com a pessoa física, a pessoa jurídica também sofre de muitos males, e para isso é que se busca na pessoa de profissionais capacitados a cura para tais.
Com o passar dos tempos, e diante da complexidade dos sistemas econômicos, os males que afligem a pessoa jurídica tem se retransformado, agigantado, tomando rumos incertos da noite para o dia, fazendo com que aquelas empresas mal assessoradas tenham sido tomadas de súbito, não mais se levantando, derivando, conseqüentemente, na quebra (falência) de suas atividades.
Em nosso Estado, não diferente do que acontece no restante do país, ainda estamos despreparados para enfrentar esses males que assoberbam as pessoas jurídicas, tanto é verdade essa afirmativa, que é assustador o número de empresas que abrem suas atividades e no máximo em dois anos já estão com suas atividades encerradas, bastando ver as estatísticas fornecidas pelas Juntas Comerciais. Cabe ainda salientar que tal estatística se dá para aquelas empresas que efetivamente dão legalmente suas baixas. E quantas outras que “fecham suas portas” e não dão a devida baixa no registro do comércio, face a burocracia imposta para tal, especialmente pelo pagamento de todos os tributos em aberto (atraso), analisando que tais já foram influência de tal fechamento?
A medicina para a pessoa física quanto para a pessoa jurídica, para se tornar eficaz, tem que atuar preventivamente, caso contrário podem acontecer alguns males que dificilmente se tornarão remediáveis, irreversíveis.
Daí, para a pessoa jurídica, a importância de se ter em seu quadro “médicos” (profissionais) capacitados, e que tenham a visão preventiva, e isso é perfeitamente possível, porém poucos a utilizam.
Assim como acontece com a pessoa física, a medicina para a pessoa jurídica também se distribui em várias áreas, como por exemplo no ramo da contabilidade, da administração, da economia, do direito, da psicologia, da matemática, etc. No entanto, algumas delas têm atuação preventiva, e outras têm mais atuação curativa. A primeira citada (a contabilidade), de atuação preventiva, a meu entender, é a mais necessária, pois somente através do registro dos fatos econômicos e financeiros que acontecem na pessoa jurídica, e que tem grande influência em todo o contexto empresarial, é possível detectar uma séries de circunstâncias que abrirão os olhos daqueles que atuarão dali em diante. Tais registros ensejarão dados para as tomadas de decisões, que poderão ser feitas pela administração, pela economia, etc.
Para o registro dos fatos econômicos e financeiros, pressupõe-se ao contabilista um conhecimento vasto da área empresarial, aqui correlacionando como se fosse um clínico geral, pois além do conhecimento contábil, ele deve ter, também, conhecimento na área do direito (especialmente o tributário – fiscal e trabalhista), na administração (planejamento de metas – programática e orçamentária), na economia (análise e formulação de índices de acompanhamento das atividades empresariais).
Também em idêntica situação à da pessoa física, onde vários profissionais, cada um no seu ramo de especialização, devem trabalhar em harmonia, com um único objetivo, que é o bem estar do ser humano, tal também não pode ser diferente para os profissionais da pessoa jurídica, mas infelizmente isso é o que não tem ocorrido, pois cada profissional se isola um do outro, e talvez esse seja um dos motivos para a grande “mortalidade” das pequenas empresas, pois ainda não despertaram para tal fato. No que se refere às grandes empresas, tal realidade tem sido melhor trabalhada, pois há um profissionalismo mais latente, e isso tem sido um dos fatores de destaque na comparação entre a grande e a pequena empresa. No entanto, para o pequeno empresário que quiser sobreviver no mercado competitivo que nos encontramos, onde a tendência é se acirrar ainda mais, a saída é, sem sombra de dúvida, ter em seu quadro de profissionais os “médicos” supra referidos, com a finalidade de atuarem preventivamente na administração da vida empresarial, a fim de evitar o indesejável, qual seja, ser mais uma empresa “morta” na triste realidade estatística divulgada periodicamente pelo “cartório” de registro das pessoas jurídicas, que é a Junta Comercial.
No Comments Yet
Ainda sem comentários.
RSS dos Comentários TrackBack Identifier URI
Publicar um comentário
