UMA HISTÓRIA E OUTRA ESTÓRIA – parte II
Por João Alcântara de Almeida – quase ex-Escrevente Judicial
Esse outro caso ( ) ou causo ( ) aconteceu com meu amigo Renato. Pessoa de índole inabalável, mas hora ou outra, quando tomava umas cachaças, gostava de contar vantagens. É claro, como amigo, sempre tive que dar ouvido as suas lamentações, devaneios e vangloriações.
É claro, rapaz dedicado ao trabalho, nunca ouvi nada dele que o desabonasse. Respeitado por todos, mas também tinha seus defeitos, e quem não os têm?
Certo dia, me chamou para contar o que tinha lhe acontecido. Como amigo, e sempre disposto a colocar os ombros para enxugar as lágrimas dos outros, lá estava eu, novamente, atento a ouvi-lo, pacientemente.
Me disse que há muito tempo trabalhava em uma empresa, dando “o sangue”, “vestindo a camisa”, enfim, todas aquelas coisas que se propalam por aí de um funcionário dedicado. Em sua instituição de trabalho tinham muitos chefes.
É, após Taylor e Fayol (os dois partem de pólos opostos dentro da hierarquia organizacional. Taylor tinha uma visão mecanicista e racionalista em relação aos empregados. Segundo ele, era possível medir o tempo necessário para execução de cada uma destas tarefas e, com isso, determinar um padrão para todos os trabalhadores, pois os homens são vistos como adjunto da máquina no desempenho de tarefas produtivas e devem almejar unicamente a riqueza da empresa, como bem de todos; para Fayol, os princípios de administração eram mais flexíveis, ele prezava o fator humano, sempre presente nas organizações e, apesar de ter considerado a teoria de Taylor um tanto rígida, concordou que sua obra complementou a teoria de Taylor. Fayol defendia a harmonia entre os empregados, os incentivos materiais e salariais. Para alguns, Fayol é considerado, hoje, o pai da administração moderna), com a Revolução Industrial, o mundo mudou. A figura do chefe, mesmo sendo apenas figurativa, tem muito valor no mundo moderno. E não era diferente na empresa em que trabalhava esse meu amigo.
Inclusive, em sua empresa, tinha o chefe dos chefes, o manda-chuva, aquele quase imexível. Entretanto, as pressões externas e internas fizeram com que surgisse uma outra “figura” nesse quadro, a de um agente fiscalizador. A princípio, a resistência para quem sempre “mandou” era grande, mas aos poucos tiveram que se adaptar à situação, a mudança era inevitável, era preciso fazer adaptações.
Meu amigo Renato, no encargo de subalterno, a tudo aquilo assistia de camarote, mas estava atento às mudanças que se vislumbrava acontecer, pois que certamente para si sobraria algo, vez que estava na base da pirâmide.
Não deu outra, as ordens começaram a ser baixadas, relatórios e mais relatórios, produzidos na mais fina filtragem de dados. Desceu-se à escala de chefes, cabeças fervilhavam em ideias, mapas e mapas foram produzidos, enquanto isso meu amigo estava atento, e baixinho sussurrou: “vai sobrar pra mim!!!”.
Na semana passada, quando o vi pela última vez, já era outra pessoa, pois ao passar por mim, quase não me avistou. Aparentemente estava preocupado, certamente com os relatórios que estavam vindo e quais seriam as alternativas que teria que resolve-los, mesmo porque estava na base da pirâmide.
Obs.: Qualquer semelhança com outros nomes, outros fatos ou outros acontecimentos reais, terá sido mera coincidência.
Sem comentários ainda
Ainda sem comentários.
RSS dos Comentários URI de Identificação do Trackback
Publicar um comentário
